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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 8: Inimigos Mortais

- Long Piete! – balbuciou a Capitã olhando pela luneta.

- A Capitã Jey e o pirata Long Piete são velhos inimigos, inimigos mortais! - cochicou-me a halfling Kath.

- Espero que isso não tenha nada a ver com você, senhor Elthar! – disse-me a shaeran.

- Como haveria de ter? De qualquer forma, não precisamos enfrentá-lo, o Tubarão Atroz é o navio mais rápido desses mares! – respondi-lhe.

- Sim! Mas eu preciso de tempo e preparação, Lowar! – disse ela chamando por seu navegador – me ajude, venha comigo.

Antes que ela e o elfo saíssem, segurei em seu braço, fazendo-a virar para mim:

- Conseguirei o máximo de tempo que puder! – e dizendo isso, toquei nossos chapéus, deixando ela com o emplumado e eu com o triangular.

Ela me olhou novamente com os olhos de quem queria me matar, mas dessa vez, parecia expressar confiança em mim, logo em seguida saiu junto com seu primeiro imediato.

- Kath, vá lá para baixo, não quero que se machuque! – disse virando-me para halfling.

- Não! Ficarei no convés e lutarei se preciso!

Emocionou-me ver aquela halfing tão confiante e corajosa, por isso, resolvi-lhe dar um voto de confiança.

- Certo, então me faça um favor, vá até minhas coisas e pegue um pano preto que encontrar lá, depois, abaixe a bandeira do navio, prenda o pano e levante-o.

Kath fez um sinal positivo com a cabeça e saiu decidida. Eu, por minha vez fui até o leme do navio, apoiei meu pé na amurada em frente a ele, levantei meu sabre e gritei à todos:

- Tripulação do Tubarão Atroz! Conheçam o seu novo Capitão! Van D’Elthar!

A tripulação ficou em silêncio. Não entendiam o que estava acontecendo, até que num momento, o silêncio foi quebrado pela voz forte do único anubit a bordo:

- Somos leais à Capitã Jey! Terá de nos matar para nos liderar!

- Não estão perdendo sua Capitã, só precisam confiar em mim durante os próximos minutos, se o fizerem, conseguiremos passar pelo temível Long Piete sem que ninguém se machuque.

O anubit não me respondeu, ainda estava desconfiado. Kath, a única com quem eu podia confiar estava fazendo como eu pedi, muitos da tripulação tentaram evitar que a bandeira de sua honrada Capitã fosse baixada, mas consegui apazigua-los, tudo isso estava sendo bem mais difícil do que eu tinha pensado...

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(Cena não presenciada por Van)
O Fantasma Selvagem já estava se preparando para seu primeiro ataque, quando um marinheiro subitamente falou:

- Veja Capitão! Uma bandeira pirata está tremulando no mastro do Tubarão Atroz! Será uma armadilha?

Long Piete pegou a luneta e olhou intrigado.

- Vamos nos aproximar sem atacar, há um amigo lá!



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O Tubarão Atroz e o Fantasma Selvagem foram manobrados de modo a ficarem lado a lado, a duas tripulações pareciam se odiar assim como os Capitães, Long Piete assim que me viu chegou próximo à amurada de seu navio e me saudou:

- Que bom revê-lo, meu velho amigo! Vejo que se rendeu ao nosso estilo de vida!

- Há! Tudo que precisei foi enganar aquela shaeran idiota, um único tiro e jogar seu corpo no mar foram as partes mais fáceis.

Percebi alguns integrantes da tripulação grunhindo atrás de mim.

- Ah! Eu sabia que você seria um bom pirata desde a primeira vez que vi você no mar! Por sinal, acho que até lhe devo um favor, me poupou de algo que me atormentava há anos! – ele deu um belo sorriso como se estivesse se sentindo orgulhoso de mim – mas como sabe, também há honra entre os piratas!

- Honra? Essa é nova para mim... – debochei.

- Bem, não está escrito em nenhum lugar, é só uma questão de bons relacionamentos entre os de nossa categoria – respondeu-me Piete como se fosse um professor me ensinando – promessas, dívidas, favores... são coisas que fazemos questão de cobrarmos de quem nos deve.

Cruzei meus braços e lancei um olhar cínico para o Capitão

- Como aquele favor que você foi me fazer em Aurengard, amigo.

- Ah! Sim... o “favor” claro, mas... eu decidi mantê-lo comigo.

- Macacos me mordam, Van! Você não o conseguiu? Não sei onde estava com a cabeça quando mandei você até lá, já não tem mais a habilidade de antes...

- Estou falando sério, Piete, se não acredita em mim não posso fazer nada...

- E se eu acreditar? – interrogou-me olhando fixo para mim.

- Então terá de vir pega-lo – desafiei-o.

- E se eu preferir destruir todo o seu naviozinho ridículo como fiz com o último que estava?

- Então vai ter de ir pega-lo no fundo do oceano...

- Ora, Van! Você não faria isso! – rugiu Piete para mim com certo tom de dúvida.

- Você não o terá enquanto eu estiver vivo! – e apontei-lhe meu florete.

- Então o terei com você morto! – gritou o Capitão.

Piete sacou seu chicote rapidamente, e com ágeis movimentos e lançou a ponta do chicote na minha direção de modo que conseguiu amarrá-lo em torno do meu pescoço. Senti minha respiração ficando difícil, ele puxou a arma me levando de encontro à amurada do “meu” navio, mas consegui me segurar para não cair na água.

- Já cansei de suas gracinhas, Van! Entregue-me o anel se estiver com ele! Agora!

Enquanto tentava me soltar do fio resistente que prendia meu pescoço, virei o rosto para o lado por um momento e vi um encapuzado saindo da cabine da Capitã furtivamente e seguindo para o leme.

- Capitão! Veja! – gritou subitamente um dos piradas de Long Piete.

Todos olharam na direção da figura, o encapuzado retirou seu manto com um rápido movimento mostrando-se a Capitã Jey, ela ainda teve tempo de gritar ao seu velho inimigo:

- Não achou mesmo que eu perderia meu navio tão facilmente, não é? Haha! Mas não tenho tempo para você agora Piete!

- Não! Parem ela! – gritou o Orc ainda segurando com firmeza seu chicote.

Mas antes mesmo que os marinheiros pudessem puxar suas pistolas, Jey abriu seus braços e respirou fundo como se estivesse enchendo seus pulmões com todo o ar à nossa volta, logo em seguida, soltou todo o ar que aspirou num longo sopro na direção das velas do Tubarão Atroz que se encheram tanto que achei que fossem arrebentar. Um tranco forte fez nosso navio disparar numa velocidade incrível.

Long Piete, ainda preocupado com a Capitã Jey não percebeu quando prendi meus pés na amurada do navio e puxei a corda do chicote com toda minha força, fazendo-o cair para fora do Fantasma Selvagem, mas só percebi que havia cometido um erro quando senti o peso do pirata me puxando para baixo. Felizmente, Kath estava atenta à movimentação e para a surpresa de todos cortou a linha do chicote com sua adaga antes que eu fosse puxado para baixo, logo depois senti uma mão agarrando o colarinho de minha camisa, era o anubit, que me puxou de volta e me jogou no convés evitando que eu caísse na água.

- Atirem seus idiotas! – gritou o Long Piete engasgando-se nas ondas.

Mas o Tubarão Atroz se movia tão rápido que não havia tempo de mirar os canhões, alguns piratas disparam com seus revólveres, mas não acertaram nenhum de nós, em poucos momentos o Tubarão Atroz já se encontrava há uma distância inalcançável.

Levantei-me e corri até a popa do navio, saquei rapidamente minha besta, prendi em seu virote um pequeno saco de couro e disparei na direção do Fantasma Atroz.

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(Cena não presenciada por Van)

Capitão Long Piete, ensopado, subiu de volta ao seu navio com a ajuda de seus marinheiros, estava irado:

- Maldita enguia! Maldito mestiço! Não acredito que os deixamos fugir de novo! Os dois!

De repente, um virote, vindo do Tubarão Atoz prende-se a um dos mastros do navio, há preso nele uma pequena bolsa de couro. Um dos marinheiros a pega e leva ao seu Capitão. Long Piete joga o conteúdo do pequeno saco na sua mão e dele cai um pequeno anel, o Orc olha espantado para o objeto.

Donaar Bang, o conselheiro do Capitão bate em ombro e diz:

- Parece que o excêntrico jovem não tem interesse em se meter na guerra pessoal de vocês, prefere manter a amizade de dois inimigos...

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Abaixei a besta e dei um longo suspiro... “Espero ter feito a coisa certa...” – pensei. Quando me virei dei de cara com a Capitã.

- O que era aquilo?

- Nada... Você não ia precisar dele mesmo...

Ela me olhou confusa. Estaria eu ajudando seu inimigo mortal? Mas naquele momento ela parecia estar feliz por ninguém ter se machucado e resolveu confiar em mim pela primeira vez.

- Fez um bom trabalho, senhor Elthar – e pegou seu chapéu triangular de volta e colocou em sua cabeça.

- Onde está o meu? – indaguei.

- Ele era muito leve, se perdeu na ventania – se virou e saiu andando.

Dei um breve suspiro e murmurei em seguida:

- Droga! Já o segundo que eu perco essa semana!

Mas parece que aquele não era um bom dia para nós, à tarde encontramos outro navio no horizonte...

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sexta-feira, 20 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 7: Uma Nova Tripulação



De volta à cidade, fui direto comprar roupas novas e outras coisas que precisava para viagem, não me sentia bem vestindo roupas de uma das vítimas de Namira. Logo em seguida, rumei para o porto para procurar esse tal Capitão. Depois de muito andar e pedir informações localizei o Tubarão Atroz, um leve navio com velas imensas e uma bandeira azul com o brasão de Theriasca tremulando no topo do maior mastro.

Entrei no navio como se fosse da sua tripulação, que por sinal era bem diversificada: felinos, elfos, humanos, halflings, gnomos, havia até mesmo um anubit, além disso cerca de um terço dela era de mulheres, me aproximei de um homem forte que estava ajeitando um barril, bati em seu ombro e disse:

- Preciso falar com seu Capitão, amigo.

- Olhe para trás - me respondeu ele e continuou com seu serviço.

Olhei na direção do leme e vi lá em cima um elfo e uma shaeran (veja imagem) conversando sobre um mapa aberto, subi até lá e fui na direção do elfo. Chegando lá estendi minha mão e disse:

- Saudações, Capitão! Eis aqui seu mais novo tripulante, Van D’Elthar.

O elfo me olhou com cara de assustado, deu um sorriso e olhou de volta para a shaeran, ela, por sua vez, pegou na minha mão e disse:

- Capitã Jey Coralien. Lamento senhor Elthar, mas meu navio já está com tripulação o bastante.

Meio confuso e um pouco envergonhado, respondi-lhe:

- Uma amiga sua me mandou trazer isso até você – e mostrei-lhe a carta da Governadora.

A capitã tomou a carta de minha mão, abriu-a e começou a ler intrigada, olhava algumas vezes para mim com desconfiança e voltava a ler a carta, no final, dobrou novamente a carta, colocou-a de volta no envelope e me disse:

- Bem, senhor Elthar, se vai fazer parte de minha tripulação, deverá trabalhar como todos – dirigiu-se ao Elfo – Lowar dê-lhe um esfregão e balde, quanto a você – virou-se para mim – siga meu navegador e comece já a limpar o convés, partimos hoje à tarde!

- Trabalhar? Achei que essa carta me desse algum tipo de privilégio como direito a um quarto particular e tudo mais, poxa... acho que a Governadora esqueceu de mencionar isso na carta... – respondi em tom irônico.

- É melhor não me provocar, senhor Elthar, não gosto de gracinhas de pessoas do seu tipo. E se debochar de minha madrinha mais alguma vez dentro de meu navio, jogo-lhe para os tubarões! Agora o leve!

Acompanhei o elfo até o porão do navio, lugar que por sinal não parecia como o da maioria dos outros barcos, estava organizado e havia pouco rum, “que tripulação mais certinha” – pensei. Peguei um esfregão e um balde e subi ao convés. Tirei meu casaco novo e meu chapéu, coloquei-os de lado e comecei a esfregar. Havia sobre mim um grupo de felinos e halflings ajeitando as velas com muita agilidade.

Confesso que nunca fui muito de trabalhar, acho que por isso escolhi essa vida... Depois de esfregar o chão algumas vezes, parei, apoiei meu cotovelo sobre esfregão e fiquei alguns momentos a olhar para o horizonte que nos esperava. Pensamentos distantes estavam vindo à minha cabeça quando fui bruscamente interrompido por uma pancada nas costas que me derrubou no chão. Levantei-me rápido o olhei o que me acertara. Havia uma halfling caída no chão um pouco atrás de mim, fiquei em posição de duelo, apontei-lhe o cabo do esfregão e grite:

- Ora sua...! Como ousa me acertar dessa forma pelas costas?!

A pequenina se levantou assustada e respondeu gaguejando:

- Me desculpe, senhor! Eu não tive a intenção! Foi apenas um acidente! Eu estava ajeitando uma corda lá em cima, quando ela se soltou e então... e então...

Eu estava achando graça naquela mulher do tamanho de uma criança tentado se explicar, não lembrava nem um pouco seu parente de raça, que conheci em minha outra tripulação, Banin, que era corajoso e esperto.

Partimos. À noite, a halfling escolheu a rede que ficava em cima da minha para dormir, naquele emaranhado de redes e sacos de dormir não havia divisão entre ala masculina e feminina. Assim que me deitei perguntei:

- Então, Kath, quer dizer que você não sabe lutar?

- É... acabei entrando para a tripulação da Capitã Jey com pouca experiência, por isso sempre faço coisas mais simples como dar nós em cordas e içar velas.

- Ora, isso não são coisas simples, você é muito talentosa, eu não coneguiria fazer o que você faz sem me machucar várias vezes. Mas e quando o navio está em combate?

- Ajudo como posso, mas no final acabo sempre correndo e me escondendo entre as caixas.

- Haha! Tudo bem, Kath, amanhã te ensinarei a lutar.

- Jura? Você faria isso?

- Claro! Já estamos combinados!

No dia seguinte, fui ao porão novamente, como havia me ordenado o primeiro imediato da Capitã, mas ao invés de pegar um esfregão e um balde, peguei dois esfregões. De volta ao convés, joguei para Kath um dos esfregões, a halfling, com reflexos de uma tartaruga deixou que o cabo escorregar por sua mão e acertasse sua cabeça.

- Aí está sua primeira lição! – disse eu depois de uma breve risada – precisa ter firmeza e confiar em si mesma! Agora fique em posição de duelo!

Ela ficou com as pernas separadas, agarrou o cabo do esfregão com as duas mãos e o apontou na minha direção. Dei um suspiro e ajudei-a a ficar na posição correta, a halfling ficou congelada na posição que eu ensinei, tremendo como se estivesse sobre uma corda bamba, se bem que a corda bamba seria mais fácil para ela do que a posição de duelo.

- Ótimo! Dá pra começar assim... – e me posicionei-me na frente dela, a essa altura, já estávamos cercados de curiosos e descrentes que riam e cochichavam entre si – agora, vou atacar você, apare meu ataque com a sua espada, preste atenção no movimento da minha mão!

Ataquei com uma estocada simples bem devagar, Kath, num acesso de desespero bateu com toda a força que tinha no meu esfregão, fazendo um enorme barulho de madeira contra madeira, e desviou meu braço para a direita fazendo-me acertar em cheio o rosto da Capitã do navio que saía da multidão. Toda a tripulação se espantou como se não pudessem acreditar que sua Capitã havia se machucado. Kath então quase desmaiou quando percebeu. A shaeran, com a bochecha vermelha pela pancada, respirou com raiva e começou a falar como uma professora frente a alunos bagunceiros:

- Eu estava curiosa para saber o que estava acontecendo aqui, e acabei descobrindo que um certo intruso está tumultuando meu navio.

- Mil, perdões, minha Capitã, a culpa foi inteiramente minha, eu só estava ensinando a pequena Kath algumas proezas, sabe como é, a senhora Capitã não pode navegar por aí com uma tripulação que não sabe lutar. Se quiser pode participar da aula também.

A Capitã olhou para mim com olhos que desejavam me matar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouvimos um grito do mastro:

- Navio à vista!

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sábado, 14 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 6: A Mansão


Chegamos à mansão da Governadora. Ela encontrava-se no topo de uma colina verde, em volta, havia lá um casarão, com um belo jardim à frente, era cercado por várias plantações de cana-de-açucar, no meio das plantações podia se ver uma grande construção de madeira, um engenho. Os guardas da Mansão abriram os portões sem estranhar o novo cocheiro, já deviam estar acostumados com estranhos naquele lugar.

Parei o carro em frente ao casarão, desci, abri a porta da charrete e dei a mão para ajudá-la a descer. Minha espinha até gelou com a frieza de sua mão, carregada de jóias por sinal, era provavelmente uma daquelas que Long Piete estava procurando, mas eram tantas! Como eu ia descobrir?

Quando entramos na casa, a Governadora se virou para mim e disse:

- Meu criado vai lhe acompanhar para que possa se preparar para o jantar, nos encontramos daqui uma hora – e subiu para seu quarto.

“Espero que o jantar não seja minha cabeça” – pensei.

Um homem muito bem vestido e educado pediu para que eu o seguisse, levou-me para um quarto de visitas, ou abatedouro, como pensei logo que cheguei, ele me disse que traria roupas e pediu para que eu me sentisse a vontade. Sentir-se a vontade naquele lugar foi uma coisa que não senti durante todo o tempo que estive lá, tudo me parecia suspeito: as cortinas, o armário, a cama.

Tomei banho com minha espada na mão se caso alguma coisa acontecesse, quando terminei o criado chegou com as roupas, muito finas, diga-se de passagem, vesti-as, mas não pude deixar de ter pena do último homem que a vestiu, provavelmente uma das vítimas de Namira.
Saímos e fui seguindo o criado pelos corredores largos e sombrios, o único ruído que se ouvia era o dos nossos passos, passamos pela sala de jantar, que estava com a mesa vazia, o criado, percebendo minha desconfiança, disse-me:

- A Governadora deseja jantar com o senhor em seu próprio quarto.

“Huh? Então ela quer ter um filho meu antes de me matar?” – pensei, a paranóia era algo que atormentava de maneira devastadora, mas me mantive firme, “Afinal todo esse sentimento pode ser parte de algum encantamento que Namira espalhou em sua casa”.

Entrei em um quarto com uma grande porta dupla, o criado me anunciou e fechou porta. Havia no quarto, uma cama com uns dez metros quadrados, um véu negro a cobria. Havia também um grande armário e uma penteadeira com um espelho que mostrava uma imagem minha bem destorcida, por sinal a iluminação do lugar era bem precária, basicamente um pouco das estrelas que entrava pela janela e uma única vela queimando em uma mesa de jantar no centro do quarto.

- Sente-se, querido, nosso jantar já deve estar esfriando – disse Namira saindo das sombras.

Ela estava estonteante, seu cabelo preso deixava à mostra seu lindo pescoço e o formato perfeito de seu rosto, trajava um belo vestido negro com bordados dourados. Por um momento pensei que toda essa minha paranóia era apenas um preconceito bobo baseado em boatos, e que talvez Namira fosse uma boa pessoa."Não! É assim que os homens desavisados caem em seus truques!"

Sentamos à mesa e ela começou a comer, hesitei um pouco pensando estar envenenada, mas minha fome era grande, respirei fundo e dei uma garfada, "muito saborosa", pensei, "só espero que não me mate".

De repente, Namira soltou seus talheres olhou nos meus olhos e disse:

- Ah! Preciso te devolver isso, Van!

- Deve estar enganada, senhora, meu nome é Trevor, se não se lembra – disse engasgando e precisei tomar um gole de vinho para passar.

Ela levou a mão à sua cintura e jogou uma bolsa na minha direção, agarrei-a assustado, quando a bolsa bateu em minha mão um barulho de moedas soou.

- Não preciso do seu dinheiro, querido, já tenho bastante se é que entende.

E dizendo isso sua imagem começou a se embaçar como que por efeitos mágicos até sua aparência e inclusive suas roupas mudarem para a forma do viajante que me deu as informações na Taberna da Estátua Dourada, ele sorriu para mim e voltou à imagem de Namira, ela colocou os cotovelos na mesa e apoiando seu queixo nas mãos sorriu e piscou para mim.

Levantei-me assustado, derrubando a cadeira, saquei rapidamente meu revolver e apontei para seu rosto.

- Sua bruxa! Nunca me dei bem com as mulheres do seu tipo mesmo!

A feiticeira, sem expressar a menor surpresa, se ajeitou e voltou a comer, depois de uma garfada e um gole de vinho me disse:

- Mas, não se preocupe amor, eu prefiro essa forma que você está vendo agora.

- Porque me disse aquelas coisas sobre você? – interroguei-a, confuso.

- Ora... é o que dizem por aí sobre mim, um pirata novato como você também deveria se inteirar sobre os boatos – respondeu ela com tranquilidade – mas sente-se e voltemos a comer.

- Governadora, eu exijo que pare de falar assim comigo! – e segurei com mais firmeza o revolver.

- Van, meu amor, está me deixando assustada assim... – e me olhou com olhos meigos.

Tive certeza que ela estava naquele momento me lançando um encantamento, minha mão quase soltou o revólver, mas pensei “Não acredite nela, seu idiota! Ela é uma feiticeira que mata homens como você!”. Foi então que olhei para o prato onde estava comendo e vi que lá havia uma aranha, como a que caminhava sobre a face da Estátua Dourada. Estendi minha mão sobre a mesa para que a aranha subisse na palma dela.

- O que vai fazer com esse bicho, querido? – perguntou ela aparentando surpresa.

- Isso! – joguei a aranha no chão e a esmaguei com minha bota.

Namira arregalou seus olhos e levantou-se bruscamente, bateu com as costas das mãos na mesa, fazendo-a voar para a esquerda com uma força que ninguém imaginaria que ela teria, ela grunhiu na minha direção, e com mágica, suas pernas se transformaram num abdômen de aranha com um conjunto de oito patas, sua altura chegou a mais de dois metros e meio. Minha reação foi puxar o gatilho do revolver, seguido de um disparo ensurdecedor.

Quando a fumaça se dissipou, Namira, com seu corpo humano, estava sentada de volta em sua cadeira, estava com o rosto virado para o lado, como se estivesse envergonhada, havia um pequeno arranhão em seu rosto. Naquele momento quase larguei minha arma, nunca pensei que poderia atacar uma mulher, mas naquele caso era diferente.

- O que quer comigo, estrangeiro? – perguntou ela.

- Fui mandado para roubá-la, mas não penso em fazê-lo – minha mão com o revolver estava tremendo.

- Long Piete o mandou aqui então? Ele é o único homem que ainda acha que pode me roubar – e deu um breve suspiro.

- Sim, mas não vim até você para isso. A madame, é única pessoa que pode me ajudar – abaixei um pouco a arma – não quero rouba-la, mas também não quero ser pego por Piete.

- E porque depois do que aconteceu eu deixaria você sair vivo daqui e ainda o ajudaria? – antes que eu pudesse responder tão complicada pergunta, ela mesma respondeu – Porque eu gostei de você.

Depois de tomar um tiro no rosto? Que estranho, isso estava me parecendo fácil demais. Ela se levantou e foi até sua penteadeira, lá pegou uma pena e um papel, enquanto escrevia ela disse:

- Quero ver você longe daqui, por isso o colocarei no navio mais rápido de um dos meus melhores capitães, Long Piete nunca o pegará. Qual é mesmo o seu sobrenome?

- Elthar, Van D’Elthar.

Quando terminou de escrever, queimou um de seus anéis com cera quente e selou o envelope com seu brasão. Quando me entregou a carta, toquei mais uma vez em sua mão gélida, ela então me disse:

- Vá ao porto e procure pelo capitão do navio “Tubarão Atroz” – se aproximou do meu ouvido e me disse em voz baixa – sabe Van, eu até me casaria de verdade com você...

- Lamento minha senhora, mas eu nasci para ser homem livre.

E dizendo isso, me virei e saí daquela mansão o mais rápido que pude.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 5: Ladrões!


As pessoas do meu tipo devem aprender a conter sua impulsividade. Acabei dando todo o meu dinheiro aquele homem estranho pela informação, então tive que ir caminhando para a mansão da Governadora, que ficava em um uma fazenda, um pouco afastada da cidade, à cavalo, levaria apenas algumas horas, mas a pé, levaria um dia inteiro.

Resolvi trocar minhas roupas com as de um mendigo que encontrei na saída da cidade, assim iria parecer apenas um mero andarilho e não chamaria a atenção com minhas roupas espalhafatosas. Ainda queria manter meu chapéu, mas o mendigo fez questão de ficar com ele também, de qualquer forma não me cairia bem roupas de mendigo com um chapéu emplumado.



Quando anoiteceu, sai da estrada e encontrei um lugar para dormir, no dia seguinte, acordei bem esfolado como um mendigo de verdade e continuei meu caminho, depois de uma hora caminhando, avistei ao longe uma charrete que parecia brilhar com tanto ouro, mas parecia estar parada, muito estranho para um carro desse porte, aproximei-me um pouco mais, percebi um grupo com alguns homem em volta dela, haviam outros caídos no chão.

- Saia, Governadora Namira, você está cercada! – gritou um dos homens na direção da charrete.

Mais uma vez a impulsividade tomou conta de mim. Corri de onde estava na direção dos ladrões, saquei meu florete e apontei para o que parecia ser o líder dos ladrões, havia cinco ladrões em volta da charrete. Caídos no chão estavam três guardas, um ladrão e mais o cocheiro.

- Deixem a Governadora em paz, seus patifes! – gritei.

De dentro da charrete, pude perceber uma pequena movimentação na cortina de veludo e apareceu um olho curioso atento ao que estava acontecendo do lado de fora. O líder dos ladrões se virou para mim enraivecido e gritou:

- Seu mendigo esfarrapado! Acha que pode nos enfrentar? Peguem-no!

O primeiro ladrão correu em minha direção, cruzou espadas comigo, mas aproveitei uma abertura de sua guarda para lhe acertar um corte no peito, fazendo-o cair.

Outros dois correram na minha direção, tirei meu manto e joguei-o em cima do primeiro, deixando-o atordoado, quanto ao segundo, olhei fixamente em seus olhos e dei um passo rápido para a direita, o homem assustado, tentou acompanhar minha finta, mas não percebeu quando rapidamente me abaixei e chutei sua perna, derrubando-o com força no chão, voltando ao primeiro, agarrei o manto que tinha jogado nele, rodei-o e joguei o ladrão em cima de seu companheiro caído.

Corri para perto da charrete, um dos ladrões sacou uma pistola e apontou-a para mim, mas consegui pegar no seu braço e levanta-lo para o alto, fazendo-o errar o tiro, aproveitei a posição para agarrar seu pescoço com uma chave de braço com o braço esquerdo e com o outro bater o cabo da espada na sua cabeça.

Engajei em duelo com o líder dos ladrões, mas um deles, bem baixo, um halfing para dizer a verdade, que eu não tinha visto antes pulou de cima da charrete e me agarrou pelas costas envolvendo os braços no meu pescoço e as penas no meu abdômen.

- A Governadora é toda sua, Van, boa sorte! – cochichou ele em meu ouvido.

- Obrigado, Banin – respondi, e logo em seguida bati forte de costas na charrete, o halfling, me largou caiu no chão fingindo desmaiar.

Continuando o combate com o líder dos ladrões, que há esta altura o leitor já deve imaginar quem é. Ele correu na minha direção e tentou me acertar uma estocada, consegui desviar, com um habilidoso ataque desarmei-o e logo em seguida, meti-lhe um chute no peito, Capitão Adler voou para trás e caiu no chão fingindo-se desacordado da mesma forma que o halfling.

Momentos depois, a porta da charrete se abre e uma magnífica mulher sai de dentro, possuía aparência jovial e curvas bem traçadas, trajava roupas negras de maneira bem provocante, seu longo cabelo castanho estava todo caído para o ombro direito. Era realmente muito triste saber de todas essas histórias envolvendo-a.

- OH! Eu não sabia que andarilhos carregavam espadas... – disse-me.

- É... precisamos estar sempre preparados para o que vamos encontrar por aí – respondi engasgando um pouco.

A mulher desceu da charrete, olhou para mim e disse:

- Duquesa Namira Archinis, Governadora da Colônia de Aurengard.

Elevei minha mão até a cabeça para tirar meu chapéu, mas esqueci que ele ficara com o mendigo, então apenas me abaixei e disse:

- Meu nome é... Trevor... Leng, viajante de Theriasca, encantando, senhora.

- Então, senhor... Trevor Leng, preciso de um novo chofer, meu antigo não está em condições, se é que entende... – disse olhando para um dos homens caídos no chão.

- Seria uma grande honra para um pobre mendigo como eu, minha senhora, não sei se sou digno, não cairia bem um cocheiro sujo e fedido como eu dirigindo o carro de tão esplêndida dama.

- Não se preocupe com isso, querido – disse ela sorrindo para mim – lhe pagarei bem, além disso, tenho roupas para você em minha casa e afinal você salvou minha vida – dizendo isso entrou de volta na charrete e bateu a porta.

Dirigi-me a frente da charrete, e ao passar pelo último homem que derrubei, pisquei para o velho Capitão Adler em agradecimento, sentei-me no banco do chocheiro e bati as rédeas dos cavalos para seguirem viagem.

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terça-feira, 10 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 4: Aurengard


- Estamos perdidos! – exclamou Banin quando pisamos no porto

- Não precisa se preocupar, pequenino, eu resolverei esse assunto – tranquilizei-o.

- Você não entende, Van! Se a governadora não nos matar, Long Piete o fará! – o halfling estava notavelmente apavorado.

Virei-me para o Capitão Adler e disse:

- Muito obrigado, Capitão, mas preciso continuar sozinho agora e não quero envolver você e sua tripulação.

- Não, Van, você não pode nos abandonar! – gritou Banin quando percebeu que eu não dava atenção à ele.

- Van, a governadora é uma mulher muito perigosa, você vai se arriscar demais - aconselhou-me o Capitão.

- Eu sei, senhor, mas já me decidi, irei sozinho – E sai caminhando apressado pelo cais, enquanto meu velho Capitão e minha velha tripulação me olhavam preocupados.

Aurengard é uma cidade maravilhosa instalada em uma baía em formato de meia-lua, grandes torres e um gigantesco forte evitam que navios indesejados se aproximem da cidade. Seu porto recebe e despacha dezenas de navios todos os dias. Mais ao centro da cidade, várias casas e milhares de camelôs comercializam milhões de peças de ouro todos os dias, todo tipo de produto pode ser encontrado por lá. Passado os comerciantes, há um bairro com apenas casas de nobres e comerciantes ricos.

Mais eu não tinha tempo a perder, fui a uma taberna no bairro dos comerciantes, chamada Estatua Dourada. Lá dentro, como o próprio nome diz uma estátua dourada com três metros de altura representando uma mulher com oito braços se encontrava no centro da casa. Sentei-me ao balcão, um taberneiro barrigudo e barbudo, usando roupas de marinheiro veio até mim e bateu na minha frente um copo cheio de rum.

- Eu não pedi nada! – respondi assustado.

- É o que todos pedem por aqui! Agora beba! – disse ele e saiu.

Bebi um gole do rum, e enquanto o gosto amargo preenchia minha boca, engrossei a voz e disse:

- Preciso falar com a Governadora.

O homem olhou para mim, deu uma risada escondida entre sua barba e continuou andando, dei um suspiro e olhei para as outras pessoas da taberna. Levantei-me e andei pela taberna conversando com todos, mas sempre desviavam do assunto quando o nome da Governadora era citado.

Desanimado, voltei ao balcão, pedi o almoço, subi ao segundo andar e sentei-me para comer em frente ao rosto da grande estátua notei que ela usava uma máscara. Aquele lugar era imundo - havia uma pequena aranha caminhando na face da estátua – também com um dono daquele...

De repente, uma das cadeiras de minha mesa foi puxada, um homem, com um longo chapéu velho que encobria grande parte do seu rosto sentou-se, debruçou o braço na mesa, olhou-me pelo canto do olho, de modo que ainda não pude ver seu rosto, e disse com uma voz grave:

- Então você quer saber sobre a governadora, não é?

- Sou eu mesmo – estendi minha mão para cumprimenta-lo – meu nome é Van D...

- Não tenho interesse em quem você é, rapaz – interrompeu ele – apenas no seu dinheiro.

- E quanto você quer?

- Isso vai lhe custar cinquenta peças de ouro... e seu prato de comida... ou melhor seu copo de rum.

Coloquei meu copo perto dele, tirei uma bolsa de dinheiro do meu cinto, pus na mesa e continuei comendo enquanto ele falava. Depois de um gole do meu rum, o homem misterioso começou a dizer:

- Que tipo de homem você é? Deve ser o único marinheiro que não conhece a Governadora Namira Archinis. Além de grande administradora da Colônia, a Governadora ainda é uma feiticeira com grandes poderes, todos os marinheiros a temem, dizem por aí que ela uma colecionadora de homens, casa-se com eles e então eles nunca mais são vistos, meses depois, ela escolhe outro marido e o coitado também desaparece! É claro que apenas estrangeiros que nunca ouviram falar dela caem nos seus golpes.

Quando o homem terminou de falar, joguei o osso no meu prato vazio, levantei-me, coloquei meu chapéu e disse:

- Muito obrigado pelas informações, senhor.

Desci as escadas e sai decidido da taberna.

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domingo, 8 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 3: Prisioneiros

Fomos todos levados a bordo do Fantasma Selvagem, ao todo de nossa tripulação que no começo eram cerca de sessenta homens, apenas oito sobreviveram, os piratas nos amarraram ao mastro central do navio, e nos deixaram lá enquanto pilhavam o nosso.

- Não sei quanto a vocês, mas eu ainda não vi o tal do Long Pieter – cochichou Banin enquanto estávamos amarrados. Nesse momento, ouvimos passos vindo em nossa direção.

- Hum... Prisioneiros... – Disse isso um enorme Orc musculoso, com o rosto bem desfigurado, tinha ele uma tatuagem de um polvo no ombro e segurava um chicote.

- Aí está ele – cochichou Capitão Adler.

Long Pieter nos observava atentamente, caminhou em torno dos mastro olhando a todos com um olhar ameaçador, quando passou por mim, parou e olhou fixamente para mim, se aproximou um pouco mais e gritou na minha cara:

- Qual o seu nome, Marujo!?

- Elthar, Van d’Elthar, Capitão.

- Van??? Van... AAAARRRR!!! Há quanto tempo, meu querido! – e me deu um abraço tão forte que achei que ia quebrar meu pescoço. Ele puxou a espada e cortou a corda que nos prendia - Não se lembra de mim, velho amigo?

Naquele momento foi como se tudo se abrisse na minha mente, como não tinha percebido isso antes? Piete foi um grande companheiro meu durante meus tempos de larápio nas ruas de Leonna, ele mais forte e eu mais ágil, mas há muito não o via, nunca imaginaria que poderia ter se tornado um pirata.

- Er... bom revê-lo, Piete – e estendi minha mão para cumprimenta-lo, meus companheiros de tripulação me olhavam completamente assustados.

Long Piete não afundou o Irene em consideração a mim, mandou parte de sua tripulação para o outro navio e seguiu viagem.

Naquela noite, Piete me convidou para jantar em sua cabine, lá conheci Donaar Bang, velho marinheiro, conselheiro de bordo de Piete. Jantamos em silêncio e quando terminamos sentamos em confortáveis poltronas, acendemos charutos therascanos, minha cabeça estava com mil pensamentos. Depois de soltar uma longa baforada, Piete quebrou o silêncio:

- Então Van... Resolveu se tornar um pirata também?

- Não diria que exatamente isso, não penso em fazer com outros navios o que você fez com o nosso – quando disse isso, Donaar Bang, olhou para mim e sorriu, o homem se manteve apenas ouvindo toda a conversa.

- Aye! O velho Van com seu senso de humor! Se bem me lembro você é o maior larápio que já conheci na minha vida! Será muito bem vindo como parte da minha tripulação!

- Já lhe disse Piete, não tenho interesse em pirataria nesse estilo, há muito parei de pegar dos outros o que não é meu, e achei que você também tivesse parado, afinal nunca mais o vi depois daquele dia... – Piete deu um suspiro -... e nem Tamela – completei.

O Capitão se levantou e caminhou até a janela, e ficou olhando através dela, lá fora o céu estava limpo e estrelado.

- É mesmo... você não soube do que aconteceu naquele dia, não é? Vou contar como foi – ele se virou olho para nós dois e começou a contar – havíamos nós três naquela noite invadido uma joalheria, não? Mas algo deu errado e dono conseguiu chamar os guardas, na fuga Tamela e eu acabamos nos separando de você, foi a última vez que nos vimos.

Ajeitei-me na poltrona e olhei atentamente para Piete.

- Enquanto Tamela e eu corríamos, um dos guardas que nos perseguia atirou com uma besta e acertou bem no coração de Tamela, ela caiu no chão com um grito agudo. Voltei e tentei reanima-la, não podia aceitar a idéia de estar perdendo-a, eu amava muito aquela garota. Então uma raiva gigantesca tomou conta do meu espírito, saquei minha espada corri para cima dos guardas como um louco, derrubei dois deles, mas um outro consegui me dar uma pancada na cabeça e me desmaiar. Quando acordei já estava dentro de uma cela da Rocha Prisão de Leonna. Passei lá três anos, quando me libertaram, a primeira coisa que fiz foi descer de volta à região do lago e visitar a rua onde Tamela fora morta. Assim que cheguei lá, ouvi alguns murmúrios e gemidos muito parecidas com a voz de Tamela, quando me dei conta percebi que algo branco e translúcido girava em círculos bem acima de mim, aquela coisa se aproximou de meu rosto e formou o rosto de Tamela. Saí de lá correndo o mais rápido possível. Veja só... o espírito de Tamela, minha querida garota, havia se tornado um fantasma que assombra as ruas de Leonna...

Meus olhos ficaram arregalados com essa história e não nego que deixei algumas lágrima escaparem de meus olhos.

Piete recobrou sua postura anterior, sentou-se na poltrona novamente e continuou:

- Desde então, venho tentado encontrar uma forma de libertar o espírito de Tamela dessa condição – ele deu uma breve pausa e completou – é aí que você entra, meu amigo.

- Eu? Me desculpe Piete, mas não conheço nenhum tipo de ritual capaz de libertar fantasmas.

- Não é isso, Van. Na verdade, já descobri como fazer isso. Existe um artefato, criado pelo próprio Deus da Morte, que odeia mortos-vivos e é capaz de esconjura-los.

- Ah e deixe-me adivinhar: você quer que o roube para você.

- Cale-se, não me interrompa! Lembre que você ainda está diante do maior pirata dos mares de Ymirian! – gritou Piete e eu me encostei na poltrona – como eu dizia, esse não é exatamente o artefato que deve pegar e sim um objeto que me dará acesso à ele, um anel para ser mais específico.

- E se você é o maior pirata de Ymirian, porque você mesmo não o pega?

- Porque meu navio não pode nem mesmo ser visto no lugar onde o anel está. Já ouviu falar de Namira Archinis?

- A governadora da colônia therascana de Aurengard?

- Parece que você não é um desconhecedor total do mundo marítimo, hein, Van? É ela mesma, na verdade, a governadora é uma poderosa feiticeira que construiu ela própria o anel que procuro.

- E o que esse anel faz?

- Ele tem o poder de afundar ou emergir uma ilha inteira. Namira como boa pirata que é, mas esconde ser, colocou a Relíquia do Deus da Morte em uma baú, enterrou o baú em uma ilha e logo em seguida usou o poder do anel para subermergi-la.

- Bom... você me convenceu, Piete, afinal não tenho escolha, não é?

- A não ser que você e seus amigos queiram andar na prancha e encontrar o baú de Davy Jones... E lembre-se, você não terá como fugir de mim, se me passar a perna ainda posso encontrar em qualquer lugar onde haja mar e então nossa antiga amizade não será capaz de salva-lo.

Depois de uma semana de viagem, voltamos todos para o Irene, já haviam feito alguns reparos, mas estava ainda deplorável. Navegamos por mais um dia até que na manhã do dia seguinte aportamos na Colônia de Aurengard.

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sábado, 7 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 2: No Navio


Depois de duas semana de viagem eu estava começando a me familiarizar com a vida no mar, os marinheiros já haviam me ensinado algumas expressões, cantorias típicas e a gostar de rum, eu estava me divertindo bastante naquele lugar. Nosso objetivo era chegar a uma das colônias de Leonna para entregar um carregamento de objetos de luxo.

Capitão Adler era um homem tranquilo apesar de seus acessos histéricos frequentes, como o da vez em que o conheci, passava a maior parte do tempo em sua cabine. Banin, um halfling grumete, me disse certa vez:

- Sua mulher foi cruelmente assassinada por ladrões enquanto ele ainda morava em uma pequena vila de Sankarah, daí, se entregou ao mar e batizou o navio com seu nome: “Irene”.

Aproximadamente no décimo sétimo dia de viagem, ouvimos um grito do mastro central:

- Navio à vista!

A esse ponto da viagem já nos encontrávamos bem ao sul da Península de Adaga, lugar cheio de ilhas desertas onde os piratas adoram... Fazer coisas de piratas – atacar navios, enterrar tesouros e beber rum.

- Tubarões me mordam! É o Capitão Long Pieter! – disse o Capitão Adler abaixando a luneta em mais um acesso histérico.

- Pieter? Esse nome não me parece estranho, quem é esse? – Respondi.

- Ele é o maior pirata dos mares! Ataca a todos sem descriminação e sua tripulação é dotada de uma crueldade sem tamanho. Dê a volta!
- Não vamos conseguir Capitão, o Fantasma Selvagem se aproxima muito rápido!

- AAAARRRR! Então se preparem para a batalha!

Uma grande movimentação se deu dentro do navio, canhões sendo carregados, gritaria, corrida. Senti meu sangue fervendo, puxei meu velho florete e minha recém adquirida pistola e fiquei esperando próximo da amurada, o Fantasma Selvagem era uma bela fragata com uma bandeira negra tremulando no mastro, rápida e muito bem equipada, ideal para um grande pirata, nosso pequeno Irene não teria a menor chance, ele virou de estibordo, com uma manobra incrível e pude ver pequenos pontos negros ao longe vindo na nossa direção.

- Cuidado! Ataque!

Uma chuva de bolas de ferro caiu sobre o navio num ataque devastador, o convés se encheu de buracos, um dos nossos canhões escorregou para o mar levando dois marinheiros consigo.

- Ataquem de volta! – gritei desesperado.

- Estamos muito longe, precisamos nos aproximar mais!

O Fantasma Selvagem se aproximava de nós a uma velocidade incrível, virando mais uma vez com graciosidade, para bombordo, disparou novamente seus vinte e quatro canhões, dessa vez foram bolas “uvas” como chamamos, elas não causam o menor estrago no navio, mas em compensação, quando tocam o chão explodem mandando pequenas balas de ferro em toda a tripulação, duas delas me acertaram uma na perna e outra no abdômen, mas a maioria da tripulação levou tiros letais.

- Ataquem agora! – gritou nosso capitão.

Mas apenas cinco canhões disparam, e com uma precisão horrível, três delas caíram no mar e os que acertaram não causam grande estrago. Capitão Long Pieter, manobrou seu navio de modo que ficasse paralelo ao nosso, a apenas três metros de distância. Uma tripulação furiosa com mais de cento e vinte piratas invadiu nosso navio. Acertei um deles com minha pistola enquanto se agarrava na corda para balançar, logo em seguida dei uma estocada no peito de outro que acabara de pousar em nosso navio.

- São muitos, socorro! – gritou o pequeno Banin enquanto tentava se libertar de dois piratas que o seguravam com força.

Corri até ele, subi numa caixa que estava ao lado, pulei dela e aceitei a cabeça de um dos piratas com o cabo da espada, o halfling com um braço solto, conseguiu puxar um punhal de sua bota e acertar o abdômen de outro pirata.

- Obrigado Van! Capitão Adler está no leme, precisamos ajudá-lo!

Corremos pelo convés desviado dos buracos e dos piratas, agarrei uma corda e voei até o deck do leme batendo meus pés no peito de um pirata que duelava com Capitão Adler, fazendo-o cair no mar, Banin escalou a parede com a agilidade de um gato, passou uma rasteira no pirata e fincou o punhal em seu peito, Capitão Adler após uma estocada certeira na barriga de outro pirata disse:

- Obrigado vocês dois, mas acho que não temos chance...

Mais piratas subiram ao deck, nós três os esperávamos com as espadas apontadas para os eles em posição de duelo, cerca de vinte piratas nos cercaram no deck, não havia outra escolha, soltamos nossas armas e levantamos nossos braços para o alto.

O navio fora tomado.

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domingo, 1 de março de 2009

Piratas, Magia e Aranhas

Capítulo 1: Um novo Horizonte para Aventuras


Devo concordar que aventuras em terra seca são esplêndidas, mas nada se compara aos mares: navios, piratas, tesouros, ilhas desconhecidas... Tudo que a gente procura – grandes aventuras e perigos, seria bom para relaxar um pouco e conhecer novos lugares.

A Marinha de Leonna estava à procura de homens jovens e corajosos para se aventurarem no novo mundo, daí então pensei: “Por que não, Van? Pode ser uma grande oportunidade para você encontrar aventuras, riquezas e principalmente mulheres”. Arranquei o anúncio e fui ao porto, na Taberna do Leviatã, entrei a passos longos, bati minha mão com o papel no balcão e disse:

- Eu sou o homem que vocês procuram!

O taberneiro, velho homem do mar com um tapa-olho, virou-se para mim com uma cara mal-humorada, debruçou-se no balcão, passou a mão por debaixo dele, tirou um papel, me mostrou uma lista com nomes e disse:

- Quer ser da tripulação de quem?

A lista amarelada estava cheia de nomes de Capitães orgulhosos, preponderantes e mandões, alguns dos quais eu conhecia, como o Marquês Zulipey, contrabandista assumido, mas amigo da Alta-Nobreza; Duque Tar’ori, homem justo e honesto, mas trata sua tripulação como um bando de escravos prisioneiros; e o Conde Von Ganon, pai de uma... conhecida minha. Escolhi o nome mais desconhecido que encontrei, era um tal de Lord Antony Adler. Preenchi o formulário e saí para conhecer meu Capitão.

Caminhei alguns minutos pelo porto até encontrar uma escuna com cerca de cinquenta metros da popa à proa, uns vinte de largura, três mastros, sendo o maior com sete metros de altura, as inscrições na popa diziam: “Irene”. Haviam vário marinheiros carregando o navio, um homem com o chapéu triangular e um longo casaco de marrom estava sentado sobre uma caixa, observando o carregamento. Assim que me aproximei dele, ele saltou da caixa e disse:

- Que tremam as tábuas! Nós zarpamos amanhã! À bordo, marujo!

E todos os marinheiros respondem com um uníssono grave:

- Aye!

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Contos de Van D'Elthar

Saudações a todos o membros e freqüentadores do Blog RPG Três Pontas, venho aqui, depois de conversar algumas horas com o Admistrador do Blog para começar a postar contos de um antigo e marcante personagem com o qual eu joguei, postarei esses contos na forma de novelas (um capítulo por semana) e tentarei ser o mais periódico possível ^^v.

A história de Van é muito longa e conta com a presença de vários personagens, procurarei colocar sua história anterior à esses contos o mais rápido possível, mas por enquanto, o que se precisa saber sobre Van é que se trata de um Meio-Elfo Swashbuckler que possui um passado considerado por muitos como criminoso pelas ruas da Cidade de Leonna do qual se arrepende e agora tenta seguir uma vida onde pode ajudar às pessoas se aventurando por Ymirian.

Espero que todos gostem, minha intenção também é mostrar aos poucos o mundo de Ymirian.

Glossário:

Swashbuckler: é um típico guerreiro de capa-e-espada, que sempre enfrenta seus oponentes com habilidade e graciosidade, é também um galanteador por natureza, cavalheiros e espirituoso, costuma usar roupas espalhafatosas e dizer frases de impacto. Estilo muito utilizado entre piratas, mosqueteiros, justiceiros, sedutores e sobreviventes urbanos em geral.

Ymirian: mundo de fantasia correspondente à Terra no século XVIII

Leonna: capital do reino de mesmo nome, cidade construída sobre rochas suspensas presas ao solo por gigantescas correntes.

Um grande abraço

Thiagaum

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